sábado, 30 de maio de 2020

POLISSEMIA






    Há muitos outros exemplos de palavras polissêmicas em nossa língua, como:
  • gato: animal mamífero e pessoa atraente
  • letra: símbolo de escrita e documento substituto de dinheiro
  • formigueiro: multidão e toca das formigas
  • boca: abertura de um recipiente e parte do corpo
 
  Na tirinhas, é muito comum os autores fazerem uso da polissemia como recurso para garantir o humor do texto. Veja:


    Observe que, nessa tirinha, a construção do humor se deu pelo efeito polissêmico da palavra "costela".



tampouco X tão pouco



Há quem acredite que a palavra "tampouco" não existe. Provamos agora que, sim, ela existe. Trata-se de um advérbio. 

terça-feira, 26 de maio de 2020



Vamos às explicações:

1) Depois da preposição "entre", nada de pronome pessoal do caso reto.  Nesse caso, o adequado seria dizer:
"entre mim e o presidente".

2) Já falamos aqui no blog sobre o emprego do pronome relativo o qual e suas variações (ver link no fim desta postagem). Observe que, nesse trecho da fala do ex-ministro, ele usa o pronome relativo com o determinante no masculino (o qual) para retomar um termo no feminino (reunião). Além disso, na postagem do link exibido acima, você saberá que ele poderia ter usado outro pronome.

3) O verbo evidenciar não rege preposição. Logo, ele deveria ter dito: "isso evidencia que"

Saiba mais sobre os pronomes "o qual, a qual, os quais, as quais" no link que segue:

sábado, 23 de maio de 2020

sexta-feira, 22 de maio de 2020

PLEONASMO VICIOSO


Pleonasmo vicioso é o uso excessivo de palavras na transmissão de uma ideia, ocorrendo repetição e redundância, constituindo-se um vício de linguagem, um desvio do padrão culto da língua (vide imagem).

Outros exemplos de PLEONASMO VICIOSO:

  • descer pra baixo
  • cair uma queda
  • protagonista principal
  • ré pra trás
  • voltar pra trás
  • planejamento para o futuro
  • surpresa inesperada
  • amanhecer o dia
  • consenso geral




quinta-feira, 21 de maio de 2020

o qual, a qual, os quais, as quais



A postagem de hoje é resultado do incômodo que sinto todas as vezes em que vejo pessoas fazendo uso exagerado, desnecessário e muitas vezes inadequado do pronome relativo o qual e suas variações. Então, vamos a algumas considerações:

1) O qual (ou suas variações - a qual, os quais, as quais) deve ser utilizado para retomar um termo que o antecede, a fim de evitar repetição desnecessária.

2) Na fala ou na escrita, dê preferência ao emprego de o qual (ou suas variações) para evitar ambiguidade e/ou depois de preposições com mais de uma sílaba (pe-ran-te / so-bre / pa-ra)  e das preposições sem e sob.

Vamos, então aos exemplos:
    • Visitei a fazenda de meu tio, que me deixou encantada. 
      • O pronome relativo que pode estar se referindo tanto a "fazenda" quanto a "tio".  A ambiguidade poderia ser desfeita, empregando os referidos pronomes, de duas formas: Visitei a fazenda de meu tio, o qual me deixou encantada. / Visitei a fazenda de meu tio, a qual me deixou encantada.
    • Este é o juiz perante o qual o criminoso confessou o crime.
      • Neste caso, "o qual" está depois de uma preposição com mais de uma sílaba (perante).  

Importa ressaltar que, embora a maioria dos gramáticos aprove o emprego do pronome em questão como no primeiro exemplo, eu, particularmente, só o utilizo para desfazer ambiguidades em último caso. Prefiro empregar o qual, a qual, os quais ou as quais apenas depois de preposição com duas sílabas ou mais. De qualquer forma, convém evitar o emprego exagerado e desnecessário.


Sugestão de leitura



        A sugestão de leitura de hoje é “Meu querido canibal”, de Antônio Torres que, diga-se de passagem, é um dos meus autores favoritos, além de baiano da gema, ali da cidade de Sátiro Dias, antigo Junco.
        O romance traz ao leitor a história da colonização brasileira sob a ótica dos colonizados e apresenta quem podemos chamar de primeiro herói tipicamente brasileiro, Cunhambebe, um índio corajoso de dois metros de altura, que muito lutou para  não deixar o seu povo sofrer aniquilação cultural e física.
        Numa narrativa bastante corajosa (desde a capa com a imagem de um índio apontando uma flecha para o que parece ser a cidade do Rio de Janeiro do período em que a história narrada se passa), Antônio Torres aproveita para dar posição de destaque à arrogância e à violência dos portugueses que aqui chegaram, ao mesmo tempo em que, ao nos contar sobre a destemida resistência indígena, nos apresenta o índio que, apesar de valente e nobre, nem sempre conseguiu se livrar das corrupções sociais.
        Enfim, uma narrativa emocionante e crítica de um lado da nossa história sobre o qual pouco se fala.