sábado, 5 de novembro de 2011
Por que Renata Vasconcellos e Chico Pinheiro sorriram?
Quem madruga porque gosta ou por necessidade (o meu caso) deve ter visto, quinta-feira passada (3/11), no telejornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo, uma boa risada dos apresentadores logo depois da exibição de uma matéria sobre as condições climáticas. Isso porque a apresentadora Renata Vasconcellos, ao chamar uma repórter, anunciou que em “Porto Alegre FAZEM dezesseis graus.” Frase em que, de acordo com a gramática normativa, ocorre um erro de concordância verbal, visto que o verbo FAZER indicando tempo decorrido, fenômenos atmosféricos ou fenômenos devidos a fatos astronômicos não vai para o plural.
Ex: Faz cinco anos que não aparece aqui.
Faz vinte graus esta manhã.
Encerrada a matéria, de volta ao estúdio, Chico Pinheiro, em tom de brincadeira, perguntou a sua colega apresentadora quantos graus estava fazendo em Porto Alegre, e ela, também com risos, respondeu: “FAZ dezesseis graus.”
Portanto, o correto é:
Faz dois anos que não vou à praia. E não: Fazem dois anos que não vou à praia.
Fazia dois meses que ele não via a mãe. E não: Faziam dois meses que ele não via a mãe.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
ENEM (e nem) me fale em qualidade da educação
Se me encomendassem uma HQ, cujo tema principal fosse nosso país, deixaria desapontados muitos que esperassem de mim uma perspectiva ufanista, pois o título da minha historinha seria “O Brasil em: mais uma crise no Enem”. Até haveria uma rima pobre nesse título. O que acabaria por realçar a incompetência dos que realizam esse exame e a balbúrdia que surge em torno dele a cada ano.
Um exame que surgiu como um excelente mecanismo de substituição do famigerado vestibular, hoje se configura como um dos maiores micos do sistema educacional brasileiro, como se já não bastassem professores mal pagos, mal preparados, qualidade de ensino em decadência, escola sem a mínima infra-estrutura etc, etc, etc.
Há três anos, as provas do Enem entram no noticiário nacional e são mencionadas por dias a fio (até que surja algo mais interessante a ser noticiado) pela incompetência de um ministro de costas largas e seus subalternos em realizarem com serenidade e seriedade uma exame desse porte, sem que haja um vazamento de provas.
Enquanto isso, nós, professores, nos inquietamos com o nível delas. A cada ano, têm se exigido saber menos aos nossos alunos. Na prova do Enem (ou em quase todas as questões), basta ao aluno ter habilidade de leitura e estar preparado psicologicamente para suportar pressões, visto que o número de textos e questões é muito grande e acabam gerando tensão e muito cansaço mental.
Tudo bem que exigir habilidade de leitura no Enem em um país como o nosso em que muitos alunos das escolas públicas (para quem o Enem foi criado) entram e saem do Ensino Médio sem a habilidade de ler e compreender um pequeno texto de estrutura um pouco mais complexa, tampouco de redigir um texto com informatividade, sem redundâncias, sem incoerências e coeso.
Porém o que se observa é que ao invés de resolver os problemas de base na educação brasileira, de modo que os alunos saiam muitos bem preparados, mais uma vez o que vemos é adequar o sistema a essa baixa qualidade. No ensino regular, isso já acontece há anos. Alunos entram e passam de uma série para outra sem, muitas vezes, ter agregado nada a sua aprendizagem. Isso porque, nas entrelinhas, o governo deixa claro em suas alterações nos projetos educacionais surreais que o aluno DEVE ser promovido, salvo algumas pouquíssimas restrições.
E o que resta, então? Reduzir o Enem a um amontoado de questões com raras exigências de conteúdos referentes às disciplinas específicas, já que, se ocorresse o contrário, seria um tiro no pé do sistema educacional brasileiro, tendo em vista que sua baixíssima qualidade seria evidenciada pelo, também baixíssimo, aproveitamento dos alunos nas provas.
Daí, o que teremos? Universitários cada vez mais despreparados, pendurados nas universidades públicas (e algumas privadas) que ainda prezam sua qualidade e outros formando-se em universidades privadas (que são muitas) sabe-se lá como.
Mais uma vez quem vai pagar o pato? O cidadão comum que acabará por cair nas mãos de profissionais incompetentes.
Quanto à credibilidade do Enem, ao meu ver, está perdida. Se vão, de fato, tomar providências? Sei não.
Brasileiro tem memória curta e criticidade dependente do que a mídia divulga. A esta, o roubo das questões do Enem só interessa enquanto não surge uma notícia mais interessante, que dê mais audiência. E como os nossos governantes já sabem disso, seguem tranquilos se refrescando por aí, esperando o calor das discussões passar e fingindo-se preocupados e indignados por meios de seus assessores ou de alguns textos enviados às emissoras de televisão.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
31 de outubro, Dia D - Dia de Drummond
Acordar, viver
Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
àquele reino onde não existe vidae eu quedo inerte sem paixão.
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
Como proteger-me das feridas
que rasgam em mim o acontecimento,qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?
Ninguém responde, a vida é pétrea.
Carlos Drummond de Andrade
PS: Se estivesse vivo, Drummond faria hoje, 109 anos.
sábado, 29 de outubro de 2011
Estudantes da USP "derrapam no português"
Os alunos que ocuparam o prédio da administração da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) falharam no português e erraram em um cartaz colocado em protesto contra a Polícia Militar na USP (Universidade de São Paulo). No cartaz, os estudantes escreveram "trabaliadores" e "braço armados".
Houve até uma correção depois, mas, ainda assim, o erro ficou evidente.
Fonte: R7
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
10ª Bienal do Livro da Bahia
A programação cultural da 10ª Bienal do Livro da Bahia, que acontece de 28 de outubro a 6 de novembro, no Centro de Convenções em Salvador, já está disponível no site http://www.bienaldolivrodabahia.com.br/. Veja os dias e horários das sessões de bate-papos, debates e atividades infantis. Este ano, o evento conta com muitas atrações e novidades para aproximar mais ainda o público do universo dos livros.
Vale a pena conferir!!
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
MANDATO X MANDADO
Que ‘equívoco linguístico’ ocorre neste trecho de uma matéria publicada em um site da cidade? Leia-o e tente descobrir.
"De acordo com Magri, a acusação é falsa. “A família pretende se mudar para o estado do Rio Grande do Sul, onde tem parente, porém terá de vender o terreno onde estavam para que o deslocamento aconteça” disse Magri. O chefe de investigação afirmou que o terreno está avaliado em 25 mil reais. “Um dos traficantes tem mandato de prisão e os outros três estão sendo investigados para que as medidas cabíveis sejam tomadas”, completou Magri."
Pra quem não descobriu, o problema está no emprego inadequado da palavra mandato, que significa delegação, procuração. No geral, é usada em termos políticos para designar os poderes que serão conferidos a uma pessoa que representará a população por um tempo determinado. O que não é o caso, no texto acima.
A palavra adequada, nesse contexto, é mandado, cujo significado é ordem judicial, administrativa.
Fica a dica.
PS: E como já disse aqui, em outras postagens, é importante ficar atento, pois erros de português podem acabar com a credibilidade de um site.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Momento Cora Coralina
O SENTIDO DA VIDA
(Cora Coralina)
Não sei...
se a vida é curta ou longa demais pra nós,
mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
desejo que sacia,
amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
seja nem curta,nem longa demais,
mas que seja intensa,verdadeira,
pura...enquanto durar
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O grama X A grama
Outro dia, lendo notícias publicadas em um site local, me deparei com uma, cujo trecho transcrito abaixo me chamou atenção. Observe:
“Na casa de Luclécia, a polícia encontrou uma grande quantidade de drogas, além de oito frascos com ácido bórico (usado para produção da cocaína). Já na residência de Éric, foi encontrada aproximadamente 400 gramas de cocaína e 100 gramas de crack.”
Quem me conhece já sabe que detectei algum “erro de português”. Pois é. Nesse caso, foram dois. Veja:
“foi encontrada aproximadamente 400 gramas de cocaína e 100 gramas de crack”
Observe que a locução verbal "foi encontrada" (no singular) refere-se a “400 gramas de cocaína e 100 gramas de crack” (no plural). Logo, a locução verbal deveria estar no plural.
O outro problema refere-se à palavra grama que, nesse caso, é masculina, pois significa unidade de peso. Sendo assim, o adequado é que a já mencionada locução verbal fique também no masculino. Dessa forma, de acordo com o padrão culto da língua, a oração em questão deveria ter sido escrita assim:
foram encontrados 400 gramas de cocaína e 100 gramas de crack.
ATENÇÃO:
A palavra grama, no feminino, significa relva, vegetação. Ex.: A grama do jardim precisa ser aparada.
No supermercado, nunca peça “duzentas gramas de queijo” e sim, “duzentos gramas de queijo”.
domingo, 4 de setembro de 2011
De olho na ortografia!
Leia abaixo um trecho de uma matéria jornalística publicada em um site de notícias regionais e descubra o que há de errado:
“Em julgamento realizado no fórum Dr. Fernando Pires Daltro, o réu Anderson Gomes da Silva foi absorvido”
Descobriu?
O problema está no emprego inadequado da palavra ABSORVIDO, que significa ENGOLIDO, TRAGADO. Certamente não foi isso que aconteceu com o réu.
A palavra adequada para essa frase seria ABSOLVIDO, cujo significado é ISENTO DE QUALQUER PENALIDADE.
As pessoas costumam fazer confusão entre essas duas palavras. Os meus leitores agora não farão mais. Assim espero. rs
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