quarta-feira, 10 de junho de 2020



No dia da Língua Portuguesa, objeto de trabalho e estudo deste blog, nossa homenagem se faz por meio das palavras de Clarice Lispector:


“Esta é uma declaração de amor; amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutileza e de reagir às vezes com um pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa do superficialismo.
               Às vezes assusta com o imprevisível de uma frase. Eu gosto de manejá-la – como gostava de estar montado num cavalo e guiá-lo pelas rédeas, às vezes lentamente, às vezes a galope.
               Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não bastaram para nos dar uma herança de língua já feita. Todos nós que escrevemos, estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que lhe dê vida.
               Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
               Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e límpida."

segunda-feira, 8 de junho de 2020


Ah...essa nossa língua! Acima, alguns exemplos das peripécias da Última Flor do Lácio: palavras que preservam a mesma forma tanto para o singular quanto para o plural.


Com frequência,  me deparo com essas expressões grafadas em desacordo com o padrão culto da língua.  Se você é daqueles que escreve "concerteza", "derrepente" "apartir" "denovo" e "porisso", esse card é pra que nunca mais esqueça a forma adequada de escrevê-las.

Verbos que merecem uma atenção especial


vê, veem, vem, vêm - Quando usar?


sábado, 6 de junho de 2020


Alguém pode estar se perguntando: E o nome do estabelecimento onde se lavam carros?
Bem...esses locais são comumente chamados de LAVA JATO, e o uso informal da expressão acabou consagrando-se. Mas, de acordo com o padrão culto da língua, empregada dessa forma, é inadequada.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Indicações de leitura



           Mais alguém aí sente saudade de determinadas leituras? Hoje, senti saudade desses dois livros. Um - As baianas - me conquistou por ser um livro que reúne seis contos, de seis autores, cujas histórias, com finais bastante imprevisíveis, retratam mulheres baianas sem os estereótipos que costumam ter na literatura. O outro - A visita cruel do tempo -  seduziu-me ainda na livraria, quando li o pequeno  texto da primeira página e que deixo aqui transcrito para, quem sabe, seduzir você também: "É essa a realidade, não é? Vinte anos depois, a sua beleza já foi para o lixo, especialmente quando arrancaram fora metade das suas entranhas. O tempo é cruel, não é? Não é assim que se diz?" 
           Duas ótimas leituras: a primeira, ligeira e fácil.  A segunda, mais exigente e com enredo bastante profundo. 

sábado, 30 de maio de 2020

POLISSEMIA






    Há muitos outros exemplos de palavras polissêmicas em nossa língua, como:
  • gato: animal mamífero e pessoa atraente
  • letra: símbolo de escrita e documento substituto de dinheiro
  • formigueiro: multidão e toca das formigas
  • boca: abertura de um recipiente e parte do corpo
 
  Na tirinhas, é muito comum os autores fazerem uso da polissemia como recurso para garantir o humor do texto. Veja:


    Observe que, nessa tirinha, a construção do humor se deu pelo efeito polissêmico da palavra "costela".



tampouco X tão pouco



Há quem acredite que a palavra "tampouco" não existe. Provamos agora que, sim, ela existe. Trata-se de um advérbio.