terça-feira, 31 de janeiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
domingo, 22 de janeiro de 2012
O que o brasileiro leu em 2011
A média de venda em países desenvolvidos é 13 livros por ano, por habitante. No Brasil, há poucos anos era inferior a um livro por ano, mas depois que os governos passaram a fazer compras relevantes de livros previamente selecionados, este índice subiu para dois livros anuais por habitante. Em resumo, o brasileiro lê pouco. Mas há uma contradição nisso tudo: o mercado editorial brasileiro é um dos maiores do mundo.
Foi nesse contexto que, do ponto de vista dos negócios editoriais, o autor nacional foi um desastre para as editoras em 2011, especialmente os autores do que se entende por literatura – romance, contos, crônicas, poesia, biografia, ensaio.
No romance, gênero literário por excelência, a solitária exceção foi Jô Soares, com o romance As Esganadas (Companhia das Letras, 88.391 exemplares vendidos). Esse romance é sucesso, não pela qualidade literária inegável, com tramas muito bem urdidas, mas porque o autor é conhecido do público por causa da televisão.
O livro de qualidade pode vender pouco e isso não lhe tira os méritos. De modo análogo, pode vender bastante e ter ou não ter qualidade. Jô Soares concilia qualidade literária e desempenho comercial. Que editor não quer um autor com tal perfil?
Primeiro da lista
Nos romances vindos de traduções, houve também uma solitária exceção, a de Umberto Eco, com Cemitério de Praga (Editora Record, 46.420 exemplares vendidos). O autor italiano é um fenômeno mundial desde que, ensaísta e professor universitário conhecido de poucos, ganhou a mídia internacional e a lista dos exemplares mais vendidos em todo o mundo com o romance O Nome da Rosa.
Vejamos o que ocorreu com as editoras que publicaram Umberto Eco e Jô Soares. No Grupo Editorial Record, que engloba diversas editoras, o destaque de vendas para escritores brasileiros foi A Riqueza do Mundo (7.984 exemplares vendidos), da romancista, poeta e cronista Lya Luft. Mas este seu livro, destaque em vendas, não é romance e, sim, um livro que mistura crônicas e ensaios, um dos quais dá título ao volume.
Entre os 59 livros mais vendidos do grupo, apenas 23 títulos tiveram desempenho de vendas acima de 2.000 exemplares. Em compensação, os dez livros mais vendidos da Record venderam no conjunto 299.546 exemplares, média de 30.000 exemplares por livro.
O campeão de vendas da Companhia das Letras foi Steve Jobs, de Walter Iaacson. A biografia do ícone detablets e celulares de sucesso internacional vendeu 109.658 exemplares.
Sem anúncios
Em 2011, foram lançados no Brasil muitos livros de qualidade, de autores nacionais como de estrangeiros, mas não foi dada a devida atenção ao óbvio nos negócios: o marketing.
A mídia deu sua quota de colaboração nos tropeços ao esconder livros importantes, mas é preciso que jornais, revistas, tevês, rádios, blogues etc. sejam procurados, não apenas para solicitação de apoios gratuitos, mas como parceiros de negócios editoriais.
Ouvimos, vemos e lemos anúncios de cinema, de teatro, de músicas e até de telenovelas, mas livros só muito raramente são anunciados.
Por Deonísio da Silva em Observatório da Imprensa
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
todas as buzinas
todos os reco-recos tocarem
atira-se
e
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA.
Mário Quintana
vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
todas as buzinas
todos os reco-recos tocarem
atira-se
e
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA.
Mário Quintana
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
domingo, 18 de dezembro de 2011
Uma crônica. Triste... Reflexiva...
Na escuridão miserável
Eram sete horas da noite quando entrei no carro, ali no Jardim Botânico. Senti que alguém me observava enquanto punha o motor em movimento. Voltei-me e dei com uns olhos grandes e parados como os de um bicho, a me espiar através do vidro da janela junto ao meio-fio. Eram de uma negrinha mirrada, raquítica, um fiapo de gente encostado ao poste como um animalzinho, não teria mais que uns sete anos. Inclinei-me sobre o banco, abaixando o vidro:
- O que foi, minha filha? - perguntei, naturalmente, pensando tratar-se de esmola.
- Nada não senhor - respondeu-me, a medo, um fio de voz infantil.
- O que é que você está me olhando aí?
- Nada não senhor - repetiu. - Tou esperando o ônibus...
Onde é que você mora?
- Na Praia do Pinto.
- Vou para aquele lado. Quer uma carona?
Ela vacilou, intimidada. Insisti, abrindo a porta:
- Entra aí, que eu te levo.
Acabou entrando, sentou-se na pontinha do banco, e enquanto o carro ganhava velocidade ia olhando duro para a frente, não ousava fazer o menor movimento. Tentei puxar conversa:
- Como é o seu nome?
- Teresa.
- Quantos anos você tem, Teresa?
- Dez.
- E o que estava fazendo ali, tão longe de casa?
- A casa da minha patroa é ali.
- Patroa? Que patroa?
Pela sua resposta, pude entender que trabalhava na casa de uma família no Jardim Botânico: lavava roupa, varria a casa, servia a mesa. Entrava às sete da manhã, saía às oito da noite.
Hoje saí mais cedo. Foi 'jantarado'.
- Você já jantou?
Não. Eu almocei.
- Você não almoça todo dia?
- Quando tem comida pra levar de casa eu almoço: mamãe faz um embrulho de comida pra mim.
- E quando não tem?
- Quando não tem, não tem - e ela até parecia sorrir, me olhando pela primeira vez. Na penumbra do carro, suas feições de criança, esquálidas, encardidas de pobreza, podiam ser as de uma velha. Eu não me continha mais de aflição, pensando nos meus filhos bem nutridos - um engasgo na garganta me afogava no que os homens experimentados chamam de sentimentalismo burguês.
- Mas não te dão comida lá? - perguntei, revoltado.
- Quando eu peço, eles dão. Mas descontam no ordenado. Mamãe disse pra eu não pedir.
- E quanto é que você ganha?
Diminuí a marcha, assombrado, quase parei o carro! Ela mencionara uma importância ridícula, uma ninharia, não mais que alguns trocados. Meu impulso era voltar, bater na porta da tal mulher e meter-lhe a mão na cara.
- Como é que você foi parar na casa dessa... foi parar nessa casa? - perguntei ainda, enquanto o carro, ao fim de uma rua do Leblon, se aproximava das vielas da Praia do Pinto. Ela disparou a falar:
- Eu estava na feira com mamãe e então a madame pediu para eu carregar as compras. E aí no outro dia pediu a mamãe pra eu trabalhar na casa dela, então mamãe deixou porque mamãe não pode deixar os filhos todos sozinhos e lá em casa é sete meninos fora dois grandes que já são soldados. Pode parar que é aqui moço, obrigado.
Mal detive o carro, ela abriu a porta e saltou, saiu correndo, perdeu-se logo na escuridão miserável da Praia do Pinto...
(Fernando Sabino)
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Palavras perigosas!
Homônimas são palavras que se assemelham na grafia e/ou na pronúncia, mas apresentam significados diferentes .
ACENDER (iluminar, por fogo) e ASCENDER (subir, elevar);
APREÇAR (avaliar preços) e APRESSAR (acelerar);
ÁREA (superfície) e ÁRIA (melodia);;
CAÇAR (perseguir a caça) e CASSAR (anular, inutilizar);
CEGAR (tornar cego) e SEGAR (ceifar, cortar para colher);
CENSO (recenseamento, contagem) e SENSO (juízo);
CELA (quarto pequeno ou cubículo) e SELA (arreio de animais)
CERRAR (fechar) e SERRAR (cortar);
CESSÃO (ato de ceder, doação), SEÇÃO ou SECÇÃO (repartição, departamento; divisão) e SESSÃO ( tempo de duração de uma representação ou espetáculo, encontro, reunião);
CONCERTO (acordo, , arranjo, harmonia musical) e CONSERTO (remendo, reparo, arrumação);
ESPECTADOR (o que presencia) e EXPECTADOR ( o que está na expectativa);
ESPERTO (ágil, rápido, vivaz) e EXPERTO (conhecedor, especialista);
ESPIAR (olhar, ver, espreitar) e EXPIAR (pagar uma culpa, sofrer castigo);
ESPIRAR (respirar) e EXPIRAR (morrer);
COSER (costurar) e COZER (cozinhar);
INCIPIENTE (iniciante, principiante) e INSIPIENTE (ignorante);
INTENÇÃO ou TENÇÃO (propósito, finalidade) e INTENSÃO ou TENSÃO ( intensidade, esforço)
PAÇO (palácio) e PASSO (passada);
PROFETIZA (do verbo profetizar) e PROFETISA (feminino de profeta);
SINTO (do verbo sentir) e CINTO (objeto de vestuário);
SEXTO (numeral ordinal) e CESTO (balaio)TAXA (imposto) e TACHA (prego pequeno);
TAXAR (fixar taxa) e TACHAR (atribuir defeito);
VIAGEM (substantivo: viagem) e VIAJEM (forma verbal: que eles viajem);
É o caso de ACENTO e ASSENTO.
Recentemente, a primeira foi empregada em contexto inadequado no programa Caldeirão do Huck. Isso porque o texto em que ela aparecia fazia referência às cadeiras de um ônibus que fora reformado num dos quadros da referida atração global. Nesse caso, o correto seria ASSENTOS, que significa lugar, superfície onde se senta, e não ACENTO, cujo significado é sinal gráfico, tom de voz.
A seguir, uma lista de palavras homônimas que, como as mencionadas acima, podem ser perigosas e gerar problemas a um escritor desatento:
ACENDER (iluminar, por fogo) e ASCENDER (subir, elevar);
APREÇAR (avaliar preços) e APRESSAR (acelerar);
ÁREA (superfície) e ÁRIA (melodia);;
CAÇAR (perseguir a caça) e CASSAR (anular, inutilizar);
CEGAR (tornar cego) e SEGAR (ceifar, cortar para colher);
CENSO (recenseamento, contagem) e SENSO (juízo);
CELA (quarto pequeno ou cubículo) e SELA (arreio de animais)
CERRAR (fechar) e SERRAR (cortar);
CESSÃO (ato de ceder, doação), SEÇÃO ou SECÇÃO (repartição, departamento; divisão) e SESSÃO ( tempo de duração de uma representação ou espetáculo, encontro, reunião);
CONCERTO (acordo, , arranjo, harmonia musical) e CONSERTO (remendo, reparo, arrumação);
ESPECTADOR (o que presencia) e EXPECTADOR ( o que está na expectativa);
ESPERTO (ágil, rápido, vivaz) e EXPERTO (conhecedor, especialista);
ESPIAR (olhar, ver, espreitar) e EXPIAR (pagar uma culpa, sofrer castigo);
ESPIRAR (respirar) e EXPIRAR (morrer);
COSER (costurar) e COZER (cozinhar);
INCIPIENTE (iniciante, principiante) e INSIPIENTE (ignorante);
INTENÇÃO ou TENÇÃO (propósito, finalidade) e INTENSÃO ou TENSÃO ( intensidade, esforço)
PAÇO (palácio) e PASSO (passada);
PROFETIZA (do verbo profetizar) e PROFETISA (feminino de profeta);
SINTO (do verbo sentir) e CINTO (objeto de vestuário);
SEXTO (numeral ordinal) e CESTO (balaio)TAXA (imposto) e TACHA (prego pequeno);
TAXAR (fixar taxa) e TACHAR (atribuir defeito);
VIAGEM (substantivo: viagem) e VIAJEM (forma verbal: que eles viajem);
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Novo Acordo Ortográfico - A novela continua...
A senadora Ana Amélia (PP-RS) solicitará que a Comissão de Educação do Senado (CE) promova no início do ano que vem uma audiência pública sobre o novo acordo ortográfico. Enquanto o Brasil deve concluir a implementação do acordo em 2013, outros países de língua portuguesa enfrentam resistências - inclusive Portugal. Uma das providências que podem ser estudadas pelo Senado é a criação de um grupo de trabalho sobre o assunto.
Ana Amélia anunciou a audiência logo após se reunir, nesta segunda-feira (28), com o professor Ernani Pimentel. Autor de diversas críticas ao novo acordo ortográfico, o professor criou o Movimento Acordar Melhor para divulgar suas ideias.
Pimentel defende a simplificação das regras, porque, segundo ele, o novo acordo contém "incoerências, incongruências e muitas exceções". Um dos vários exemplos que citou foi a dificuldade para se compreender quando se deve usar ou não usar o hífen.
- Por que 'mandachuva' se escreve sem hífen e 'guarda-chuva' se escreve com hífen? É ilógico. E há muitos outros exemplos - afirmou ele.
De acordo com Pimentel, "nenhum professor de português de nenhum país signatário é capaz de escrever totalmente de acordo com as novas regras e, como os professores não têm condições de compreender, os países não terão condições de implantá-las".
Pimentel apoia a criação de um grupo de trabalho, no âmbito da Comissão de Educação do Senado (CE), para discutir o acordo. Ele também sugeriu que os países signatários criem um órgão similar à Real Academia Espanhola, que seria responsável pela uniformização da ortografia nos países de língua portuguesa.
Fonte: http://www.senado.gov.br/
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
terça-feira, 22 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
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